Eu estudo (quando digo "estudo", quero dizer que freqüento) em um colégio de cunho religioso, para ser mais exato é um lugar onde a maioria é protestante, chama-se Colégio Batista, uma boa escola aqui de Fortaleza onde fiz bons amigos. Na minha classe sou o único ateu, quando descobriram isso realmente fiquei com medo, pensei: "pronto, agora vão me queimar na fogueira!", afinal, eu deveria ser o primeiro ateu que eles viram com os próprios olhos, um animal raro que apenas se ouvia falar em livros de filosofia. Lembro-me como se fosse hoje a rodinha que fizeram, me cercando e me bombardeando de perguntas. Mas isso não vem ao caso.
Uma das primeiras hipocrisias que devo constar aqui é o respeito. Eu respeito as pessoas e gosto de ser respeitado. Não tenho nada a ver com a crença dos outros, por mais absurda que seja, mas também gostaria que alguns crentes não se importassem com a minha descrença. Minha fase de ficar procurando argumentar ao menor sinal de insinuação religiosa passou, hoje prefiro nem discutir para não fazer alarde.
Não fico por aí dizendo que sou ateu, mas se me perguntam em que acredito não vou mentir. Mas aí vem as aulas de teologia que me matam (de rir). Já me segurei várias vezes para não rir enquanto me contavam a história do apocalipse segundo a bíblia, numa inútil tentativa de me converter. Céus, eu não fico por aí falando sobre Darwin ou Nietzsche a qualquer estranho. E, se eu começar a falar e a indagar a religião alheia começam a me chamar de desrespeitoso, blasfemador e que não tenho direito de falar. Mas eu preciso ficar ouvindo sermões ridículos e acreditar que o chato só quer o meu bem e está pensando na minha salvação. Haja paciência!
Pior é quando estamos a discutir um assunto qualquer, sem ter muito a ver com religião e perdemos a razão por nossa descrença. Aí é que mata de raiva mesmo. Um exemplo é quando se discutia sobre o amor em sala de aula, perguntando se havia tipos diferentes de amor. Eu disse que não havia, que o sentimento era único, o que poderia mudar era a forma de expressar. Aí a religiosa falou que existe três tipos de amor: divino, carnal e familiar. Eu mantive a minha teoria de que o amor era único, então veio a pergunta: "você acredita em Deus?", "não", respondi, "então cale a boca". Quanta maturidade, hein?
Enfim, este é apenas o primeiro de muitos tópicos, espero que tenham gotado.
Abraços e que o nada vos abençoe!!!
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quarta-feira, outubro 21
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